A placa é tão vagabunda que a qualidade do adesivo a deixou ilegível, mas a mensagem ainda é clara. "Pedestre, você não é bem vindo aqui!".
Trata-se de um trecho da avenida marginal do córrego da Colônia, (Avenida Luiz Zorzetti), próximo onde moro. A foto foi tirada em um domingo de manhã, quando este trecho estava interditado para o trânsito de veículos, supostamente para criar uma área de lazer na avenida.
Pois bem... há uns meses atrás, no mesmo contrato emergencial elaborado sob clamor popular para a implantação de defensas metálicas na Av. Nove de Julho (leia algo a respeito aqui), nossa marginalzinha também ganhou os famigerados guard-rails. Assim como na Nove de Julho, implantadas junto da guia, o que inutilizou o uso da calçada...
Fico impressionado com a genialidade humana! Alguns engenheiros com quem conversei justificaram: "a marginal do Tietê tem calçada junto do rio? NÂO! Por isso não deve haver passeio público aqui" Catzo! Comparar a marginal do Tietê com essa marginalzinha é um absurdo, tanto em relação ao porte do córrego, da via, do trânsito envolvido... um verdadeiro estelionato intelectual!
Além disso, há algum problema em implantar as defensas DEPOIS do passeio em relação à guia, ou seja: junto à margem do córrego, mantendo-se assim o acesso dos pedestres à calçada? Tô com preguiça para pesquisar, mas existem normas para a implantação destes itens de segurança e seria loucura imaginar que elas não foram seguidas nestes casos aqui em jecacity... ou não?
De qualquer forma não quero aqui criticar a técnica da implantação dos benditos guard-rails, mas sim a política que está por detrás disso.
O Proibicionismo!
Praças degradadas? Proibe-se o acesso limitando-se o horário de utilização.
Acidentes com pedestres? Proibe-se o pedestre de andar ali.
Posso lançar uma candidatura a prefeito usando lemas parecidos: "Proibido ser pobre sob pena de ser deportado para Várzea Paulista", "Proibido ter câncer sob pena de ter que custear as despesas médicas do próprio bolso"
Pronto! Resolvi os problemas!
E para não dizer que estou pegando no pé de prefeitura, aqui vai uma crítica para o governo federal que achou a galinha dos ovos de ouro alavancando a economia do país com base na indústria automobilística, recolhe impostos e fica feliz, assim como os governos estaduais e municipais. A família que nunca teve possibilidade de ter um automóvel compra um 0 km tinindo de novo e fica feliz.
Prioriza-se o automóvel. Entope-se as ruas, inviabiliza-se o trânsito, deixa-se em segundo plano o transporte público coletivo, deixa-se em terceiro plano qualquer transporte alternativo - como a bicicleta por exemplo - e para completar a desgraça a sociedade começa a achar chyque ir a padaria (que fica a 100 metros de casa) de carro e quer estacionar NA PORTA custe o que custar, com preguiça de andar 10 metros que seja... e tá todo mundo feliz... olha que maravilha!
Seja pela política do proibicionismo explícito (pedestre é problema, vamos acabar com eles) ou pela falta de políticas inteligentes para implantar o transporte público de qualidade ou fomentar o transporte alternativo (que inclua a bicicleta e o pedestre) ou mesmo pela nova ótica com a qual a sociedade olha para o pedestre: "tá andando a pé? não tem carro? então é pobre e se não paga IPVA não tem nada que andar na rua", resumindo a estória, os pedestres estão ferrados.
Não só aqueles que ainda não foram contemplados com as benesses de ter um carro novo para fazer inveja ao vizinho. Mas até aqueles que perceberam que também são pedestres quando não estão montados em seu SUV branco e resolveram utilizar com mais frequência seus pés, seja para fazer exercício, ou para ajudar na salvação do mundo contra o aquecimento global ou qualquer outro motivo bobo.

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