segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

1946


A casa de madeira da foto foi construída na segunda metade da década de 40 do século passado pela Estrada de Ferro Sorocabana para abrigar meu avô, Pedro Greppi, transferido de Piracicaba para Jundiaí após a morte de minha avó, Maria Isabel Correa Greppi.
Fica na alça de acesso da Rua XV de Novembro para a Av. União dos Ferrioviários, junto do viaduto Sperandio Pelicciari.
Minha mãe não chegou a morar na casa com meu avô pois já havia se casado com meu pai, mas lembro de seus relatos falando das visitas e de uma certa convivência nesta casinha.
E o pior é que as histórias que minha mãe contava sobre o Sr. Pedro Greppi eram muito interessantes, principalmente as que falavam a respeito das atividades de meu avô no sindicato dos ferroviários em Piracicaba e Botucatu, dos livros proibidos que viviam escondidos e não podiam ser lidos pelas crianças, das pessoas abrigadas no porão das casas de Piracicaba e Botucatu e que deveriam permanecer lá em segredo, dos "black blocs" nas greves ferroviárias organizados por ele, das suas prisões, da sua excomunhão pelo bispo de Botucatu... mas todas essas histórias se perderam com ela por falta de registro adequado...
Meu avô era um punk-anarquista no século passado e eu não documentei isso direito... que droga!
Mas pelo menos eu posso justificar de onde vem meu sangue vermelho...haha

Minha mãe, que elucubrava sobre a mistura do sangue de filho de italianos com misturas de sangue alemão, francês, além do sangue difuso de portugueses e espanhóis e de índios botucudos brasileiros, saudava o resultado dessa miscigenação na forma de seus cinco filhos. 

Entre eles eu, o caçula e o segundo preferido da turma...hehe

domingo, 6 de janeiro de 2013

Utilize Calçada Oposta!


A placa é tão vagabunda que a qualidade do adesivo a deixou ilegível, mas a mensagem ainda é clara. "Pedestre, você não é bem vindo aqui!".

Trata-se de um trecho da avenida marginal do córrego da Colônia, (Avenida Luiz Zorzetti), próximo onde moro. A foto foi tirada em um domingo de manhã, quando este trecho estava interditado para o trânsito de veículos, supostamente para criar uma área de lazer na avenida.

Pois bem... há uns meses atrás, no mesmo contrato emergencial elaborado sob clamor popular para a implantação de defensas metálicas na Av. Nove de Julho (leia algo a respeito aqui), nossa marginalzinha também ganhou os famigerados guard-rails. Assim como na Nove de Julho, implantadas junto da guia, o que inutilizou o uso da calçada...
Fico impressionado com a genialidade humana! Alguns engenheiros com quem conversei justificaram: "a marginal do Tietê tem calçada junto do rio? NÂO! Por isso não deve haver passeio público aqui" Catzo! Comparar a marginal do Tietê com essa marginalzinha é um absurdo, tanto em relação ao porte do córrego, da via, do trânsito envolvido... um verdadeiro estelionato intelectual!

Além disso, há algum problema em implantar as defensas DEPOIS do passeio em relação à guia, ou seja: junto à margem do córrego, mantendo-se assim o acesso dos pedestres à calçada? Tô com preguiça para pesquisar, mas existem normas para a implantação destes itens de segurança e seria loucura imaginar que elas não foram seguidas nestes casos aqui em jecacity... ou não?

De qualquer forma não quero aqui criticar a técnica da implantação dos benditos guard-rails, mas sim a política que está por detrás disso.

O Proibicionismo! 

Praças degradadas? Proibe-se o acesso limitando-se o horário de utilização. 
Acidentes com pedestres? Proibe-se o pedestre de andar ali.
Posso lançar uma candidatura a prefeito usando lemas parecidos: "Proibido ser pobre sob pena de ser deportado para Várzea Paulista", "Proibido ter câncer sob pena de ter que custear as despesas médicas do próprio bolso" 
Pronto! Resolvi os problemas!

E para não dizer que estou pegando no pé de prefeitura, aqui vai uma crítica para o governo federal que achou a galinha dos ovos de ouro alavancando a economia do país com base na indústria automobilística, recolhe impostos e fica feliz, assim como os governos estaduais e municipais. A família que nunca teve possibilidade de ter um automóvel compra um 0 km tinindo de novo e fica feliz.

Prioriza-se o automóvel. Entope-se as ruas, inviabiliza-se o trânsito, deixa-se em segundo plano o transporte público coletivo, deixa-se em terceiro plano qualquer transporte alternativo - como a bicicleta por exemplo - e para completar a desgraça a sociedade começa a achar chyque ir a padaria (que fica a 100 metros de casa) de carro e quer estacionar NA PORTA custe o que custar, com preguiça de andar 10 metros que seja... e tá todo mundo feliz... olha que maravilha!

Seja pela política do proibicionismo explícito (pedestre é problema, vamos acabar com eles) ou pela falta de políticas inteligentes para implantar o transporte público de qualidade ou fomentar o transporte alternativo (que inclua a bicicleta e o pedestre) ou mesmo pela nova ótica com a qual a sociedade olha para o pedestre: "tá andando a pé? não tem carro? então é pobre e se não paga IPVA não tem nada que andar na rua", resumindo a estória, os pedestres estão ferrados.

Não só aqueles que ainda não foram contemplados com as benesses de ter um carro novo para fazer inveja ao vizinho. Mas até aqueles que perceberam que também são pedestres quando não estão montados em seu SUV branco e resolveram utilizar com mais frequência seus pés, seja para fazer exercício, ou para ajudar na salvação do mundo contra o aquecimento global ou qualquer outro motivo bobo.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Endereço: Ponte São João. Sob.


Primeira caminhada logo em dois de janeiro. Promessa cumprida... até agora.

Algo em torno de 5 km que cumpri em vinte minutos. E já consegui notar algumas coisas:

- preciso de um tênis novo e decente;
- roupas leves - com esse calor - é primordial;
- não consigo mais andar com a mesma rapidez de quando tinha 20 anos (talvez pelo motivo de que não tenha mais vinte anos...);
- sensação de insegurança em alguns lugares - como o "embaixo da ponte" da foto acima - mesmo as nove da manhã;
- sensação de insegurança nas ruas, no trânsito. Mesmo usando as faixas de travessia de pedestres. O povo anda sem paciência e sem muito respeito ao pedestre, e isso tanto em relação aos carros, quanto também às motos e - novidade - às bicicletas;
- tá calor pra caramba e mesmo sem sol acho que vou ter que usar protetor solar, talvez um boné, e o cúmulo da frescura: garrafa de água e mochila;
- mau estado de conservação das calçadas e inadequação dos itens mais óbvios que um passeio público requer: largura mínima, interferências mal localizadas - postes, telefones públicos, abrigos de pontos de ônibus - e também declividades absurdas, materiais de revestimento escorregadios... isso sem falar nos degraus abusivos e na falta de rampas de acesso aos deficientes...

Talvez mude a caminhada de horário, no final da tarde ou à noite. Fujo do sol e calor mas caio na falta de segurança e na dificuldade de usar um celular para tirar fotos com flash.

Ou mudo para Suécia.

PS: A foto registra uma das escadas helicoidais que dão acesso ao tabuleiro do Viaduto São João Batista, mais especificamente a que parte da Rua Graff. Note que o material da escada é concreto armado - beeem armado - e apesar do ângulo da foto poder te enganar, a escada NÃO está nem engastada na viga do tabuleiro do viaduto e nem apoiada no meio da coluna... ela nasce de um único ponto de apoio no piso sob o viaduto e se contorce em uma volta completa sobre si mesma até encostar levemente na lateral do viaduto... uma maravilha da arquitetura da década de 50. Coisa que não se vê mais por aí... 
(O projeto é do Arquiteto Vasco Antonio Venchiarutti, ex-prefeito de jecacity e patrono do colégio técnico onde estudei. Deve ter dado um trabalho desgraçado ao engenheiro projetista da estrutura...hehe)